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O ser humano frágil e mortal

O ser humano pode viver solto, mas nunca será livre no sentido mais amplo da palavra. Por isso, acreditar que tudo pode é ingenuidade tanto quanto duvidar de si. O ser humano pode ter pró-atividade e agilidade, mas jamais será autossuficiente. Por isso, acreditar que as conquistas originam-se apenas do esforço pessoal é uma ilusão tão cruel quanto à de negar a necessidade de abdicação e de determinação na vida. O ser humano é um animal sociável, domesticado e, portanto, sempre dependente dos outros em maior ou menor intensidade. Mas seu egocentrismo mascara essa dependência. Sua tristeza e solidão denunciam o quanto precisa de afeto constante, de qualquer afeto e de qualquer pessoa. Seu maior medo é assumir a incapacidade de ficar só, de envelhecer e de morrer só. Sua maior dor é conviver diariamente com decisões em descompasso com as emoções, ter que ser o que diz ser, de não poder não ser. Tanto a alegria quanto o desgosto pela vida emergem da maior de todas as suas fragilidades: ser inevitavelmente mortal. Desta forma, considero necessário assumir a fragilidade de ser mortal como condição para realmente aprender a viver na simplicidade, viver sabiamente o presente, viver plenamente o aqui e agora.


Autor

Roberto Pacheco



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