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Sobre Recém formados mal formados

Resolvi escrever esse texto diante do atual cenário de universitários recém-formados cada vez menos intelectualizados, descomprometidos e vazios nas seleções profissionais. Uma geração sem leitura, argumento, prática, vontade e sem brilho. Porém, autossuficiente em ilusão. Em uma fração de segundo transportam-se de estudantes do Google a expertises sem vivencia real. Deixam a sala de aula para nunca mais retornar, pois o foco era apenas o certificado e não o estudo. Na primeira entrevista de emprego da vida discursam sobre seu currículo de nada, apresentam o saber básico como se fosse diferencial, se comparam aos mais experientes desprezando-os e questionam o quanto ganharão como se já estivessem contratados. Confundem crítica com opinião, perseverança com teimosia, convicção com arrogância e humildade com crédulo. Desconhecem ou negam o ancestral e o pós-contemporâneo. Portanto, pergunto: quais lições a universidade não ensina a esses recém-formados? Todas aquelas necessárias para o sucesso digno no mundo do trabalho. Ensina disciplinarmente teorias, ciência, técnicas, estratégias e condutas éticas da profissão, mas nada ensina sobre transdisciplinaridade, produtividade, interação, cooperação, superação, evolução intelectual, dignidade, lealdade, humanidade, entre outros. Como resultado forma um exército padrão, cópias de informações, réplicas sem valor. Pessoas com muita referência bibliográfica na ponta da língua e nenhuma referência humana na vida. Pessoas com algum aprendizado e nenhum talento original. A universidade forma um exército de soldados rasos com seus cadernos de verdades a serem seguidas, jogados na guerra social para apenas matar ou morrer. Alunos de mestres e doutores certificados sem missão ou obra. O mundo atual do trabalho requer habilidades, talentos e capacidades singulares, geradoras de transformação e de evolução social. E não papeis recheados com informações óbvias como currículo. Para almejar é necessário ofertar algo em troca proporcionalmente. Ninguém é o melhor simplesmente por acreditar ser. Ninguém é o melhor sabendo e/ou fazendo tudo igual a todo mundo, isso é ser comum. E de comuns o mundo do trabalho está esgotado. Como diz um antigo poema “quem nada tem nada dá”. E em trabalho, quem não tem nada para dar, nada receberá. Desta forma, se você busca trabalho se preocupe mais em qualificar-se para desenvolver diferenciais do que apenas digitar um currículo estilizado e treinar o que e como falar nas entrevistas, pois isso é démodé.

(Roberto Pacheco)




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